5 Respondeu-lhe Simão Pedro: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes.
6 Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-lhes as redes. (Lucas 5: 1 a 11)
Tenho um livro que narra todas as histórias da vida de Jesus, e o melhor de tudo é que ele raramente interpreta o que de fato elas querem dizer, que é a parte difícil. O autor deixa para os leitores a difícil tarefa de ralar em oração para entender as entrelinhas dos ensinamentos de Jesus. Em especial, gosto muito do jeito que ele narra a pescaria de Pedro, Tiago e João e vou colocá-la em partes aqui.
“Jesus precisa de um barco; Pedro o fornece. Jesus prega; Pedro fica contente com o que ouve. Jesus, porém, sugere uma viagem de pescaria no meio da manhã, e Pedro lhe dá aquela olhada. É o olhar que diz: “Não é hora de fazer isso”. Passa os dedos pelo cabelo e diz, suspirando: “Mestre, esforçamo-nos a noite inteira e não pegamos nada”.
O barco flutuou a noite inteira sobre o manto negro do mar sem pegar nenhum peixe. As lanternas de barcos distantes balançavam como vaga-lumes. Os homens lançavam as redes e enchiam o ar com o som de sua atividade.
Ah, o que Pedro deve ter pensado. “Estou cansado. Cansado até a alma. Quero comer e dormir, não sair para pescar. Pedro não demonstra entusiasmo. Ele não tem nenhum. Naquele momento precisava desdobrar as redes, puxar os remos e convencer Tiago e João a adiarem o descanso. Ele tinha de trabalhar. Se a fé fosse medida em centímetros, a dele estava na casa dos décimos de milésimos. Inspirado? Não. Mas obediente? Admiravelmente. E um décimo de milésimo era tudo o que Jesus queria.
Pedro joga a rede, deixa que ela bata na água e então observa enquanto ela desaparece. Gosto de pensar que, enquanto segurava a rede, Pedro olha para Jesus por cima do ombro. Também gosto de pensar que, sabendo que Pedro está prestes a ser puxado para a água, Jesus começa a sorrir, tenta se conter mas não consegue. O barco fica cheio, a ponto de querer afundar.”
Cansar de algo faz parte de nossa natureza humana. Não falo do cansaço que termina com uma boa noite de sono, mas daquele que te desanima a ponto de não querer prosseguir ou daquele que sempre te irrita.
A convivência na Igreja às vezes gera esse tipo de cansaço. Todo mundo tem defeitos. Mas alguns, na obra de Deus, são inaceitáveis. Lembro de quando eu era líder do Ministério de Louvor o quanto algumas coisas geravam cansaço. Não haver bateria e corda para o violão ou o compromisso de chegar na hora certa dos ensaios me fazia subir ao teto! Era obrigação minha estabelecer as funções de cada integrante da banda, dentre outras coisas, e uma das regras era: “Cada um cuida de seu instrumento!”. E como essa regra era quebrada. Cansava de chamar a atenção para esses detalhes que impedia o ensaio, mas nem sempre adiantava... Aí pensava: “Não vou chamar mais atenção, fulano não vai mudar!”. Desisti de lançar as redes ao mar!
Quantas vezes você deixou de lançar as redes ao mar? Sempre tem algo que faz a gente pensar: “Vou desistir, não está dando certo!”
O cansaço nos causa desânimo! Pedro passou horas tentando conseguir peixes! Às vezes, passamos horas, dias, meses em prol de coisas pelas quais temos recebido pouco ou até mesmo nada. Às vezes, você tem orado e nada; tem trabalhado muito e nada; tem estudado muito e nada; tem pedido tanto para as pessoas corrigirem seus erros e nada; tem evangelizado e nada; tem lutado contra a maré e nada; tem enfrentado a tribulação e nada...
Não sei o que tem causado o seu cansaço... Mas Deus sabe, e Ele te dá esta palavra: Lance sua rede ao mar novamente! Oro para que você continue a lutar por aquilo que parece impossível e para que Deus faça a parte dEle na sua vida! Um pouquinho de fé e seu barco vai quase afundar de tanto peixe! Amém!